Resumo: nas primeiras horas, avise o banco e peça a contestação pelo MED, guarde protocolos e provas, registre o boletim de ocorrência e proteja suas contas. A responsabilidade do banco depende de ter havido falha de segurança.

1. Avise o seu banco imediatamente

Use os canais oficiais do seu banco: o aplicativo, a central de atendimento ou o internet banking. Informe que a transferência foi fruto de golpe e peça a contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED).

O MED permite que o banco da vítima comunique o banco que recebeu o dinheiro, que pode bloquear o valor enquanto o caso é analisado. Quanto mais cedo o pedido, maior a chance de ainda haver saldo na conta do golpista.

O pedido pelo MED pode ser feito em até 80 dias da transferência, mas não espere: na maior parte das recusas, o motivo é a falta de saldo na conta que recebeu o dinheiro.

2. Guarde o número de protocolo

Anote o protocolo de cada contato com o banco, a data e o horário. Esse registro mostra que você agiu rápido e é importante se for preciso discutir a responsabilidade do banco depois.

3. Preserve todas as provas

Não apague nada. Faça capturas de tela das conversas, do perfil ou número do golpista, do comprovante do Pix e de qualquer anúncio ou link que levou ao golpe. Sempre que possível, mostre data, hora e endereço da página.

Se a conversa estiver no WhatsApp, exporte o histórico. Em casos de valor alto, a ata notarial pode dar mais segurança à prova.

4. Registre o boletim de ocorrência

Em São Paulo, o boletim pode ser feito pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil. Descreva os fatos em ordem, informe a chave Pix e os dados do recebedor e anexe os comprovantes.

5. Proteja suas contas

Troque senhas, ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e no e-mail e revise os dispositivos conectados às suas contas. Se o golpe envolveu acesso ao seu celular ou aplicativo, peça ao banco o bloqueio preventivo.

O banco é obrigado a devolver o dinheiro?

Não automaticamente. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que bancos e instituições de pagamento podem responder quando falhas nos seus sistemas de segurança viabilizam o golpe, como no caso da falsa central de atendimento.

Na análise, pesam o perfil das transações (valores e horários fora do seu padrão), os alertas e bloqueios que o banco deveria ter feito e a forma como ele reagiu depois de avisado. Cada caso depende dos documentos e da cronologia.

Quando procurar um advogado

Vale buscar orientação quando o banco nega a devolução sem explicação, quando o valor é relevante, quando houve várias transferências em sequência ou quando o golpe envolveu empréstimos contratados em seu nome. A análise começa pelos protocolos, extratos e conversas que você guardou.

Conteúdo informativo, revisado em 16 de outubro de 2026. Não substitui a análise individual do seu caso. Fontes: STJ (REsp 2.222.059); regras do MED divulgadas pelo Banco Central.

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